quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Exemplo de engorda (aterramento) de rios que também tem o mesmo efeito em praias, podem causar bastante prejuízos..


Pai de vítima de afogamento em praia 




quer indenização de R$ 622 mil, no AM


Em menos de seis meses, praia registrou 12 mortes em 2012.

Família acusa Prefeitura de transferir culpa somente para as vítimas.

Do G1 AM

O pai de uma das vítimas da série de afogamentos ocorridos na Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, entrou com um processo por danos morais contra a Prefeitura e a empresa responsável pelo aterro da praia. O pedreiro, que era pai de um  jovem, de 18 anos, que morreu afogado no segundo semestre de 2012, pede indenização no valor de R$ 622 mil reais.

No processo, consta que a Prefeitura, por meio de secretários, acusou as vítimas dos afogamentos de terem sido imprudentes e ingerir bebida alcoólica antes de entrar na água. No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) comprovou que não houve ingestão.
No total, 12 mortes já foram registradas na praia. (Foto: Mônica Dias)Ponta Negra em um fim de semana em Manaus (Foto: Mônica Dias)
Alexandre Coelho da Silva, que é um dos advogados do pai da vítima, acusa a Prefeitura de transferir a culpa dos afogamentos somente para as vítimas. "Houve uma tentativa por parte da Prefeitura de tentar desqualificar as vitimas de afogamentos" afirmou o advogado.
Entenda o caso
O jovem se afogou na praia após ultrapassar, segundo o Corpo de Bombeiros, a rede de proteção na água, em 28 de outubro do ano passado. Ele foi retirado da água pelos salva-vidas ainda com vida, e passou por procedimentos de reanimação, mas não resistiu.A morte do jovem foi a 12ª registrada desde que a praia começou a passar por reformas e nivelamentos. Leia mais:  Novo laudo ainda aponta desníveis de até 10 metros na Ponta Negra, no AM. 

Em Pernambuco não houve nenhum estudo que comprovasse a eficiência desta engorda em Jaboatão dos Guararapes. Segundo o pesquisador Fábio Hazin diz que o aumento da faixa de areia aproxima banhistas dos tubarões. Confira o que foi dito na 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no campus da UFPE.

Já no município de Paulista as praias do Janga e Pau Amarelo passam pelo mesmo mal da tal engorda. Geralmente no início é uma maravilha, mas depois começa os problemas, correntezas de retorno surgindo em locais que não tinha. Profundidades acima de 1,6 m com menos de dois passos que você dá na água, formando um verdadeiro buraco, causando perigo para as crianças que frequentam a praia. O risco de lesões articulares em decorrência dos buracos, sem falar nos futuros afogamentos por causa dos declives.

Interdição do balneário


Em menos de seis meses em 2012, a Praia da Ponta Negra, principal balneário de Manaus, registrou 12 mortes por afogamento em um trecho de cerca de 300 metros de extensão. A estatística poderia subir para 13, mas não há confirmação de que um corpo encontrado nas águas da praia perene no dia 16 de novembro seja decorrente de afogamento no local.

Na época, um comparativo com dados do Terceiro Grupamento Marítimo (3º GMar) do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro mostrou que o número de mortos por afogamento na praia de Manaus é quatro vezes maior do que o registrado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, ao longo de oito meses.

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Janga e Pau Amarelo passam pelo mesmo mal da tal engorda.

Começa engorda da praia no Janga, em Paulista

Depois de concluído o trecho de Pau Amarelo, cerca de 1,2 km da orla do Janga está sendo recuperado

Publicado em 02/12/2013, às 19h43




    Após finalizar as obras de contenção do mar em trecho de meio quilômetro em Pau Amarelo, o município de Paulista, no Grande Recife, deu largada na manhã desta segunda (2) à engorda no Janga, que tem ao todo 4 quilômetros de costa.
    Castigada ao longo dos anos pelo avanço das águas, a praia será recuperada em cinco pontos considerados críticos. O investimento total é de quase R$ 14 milhões, com verbas provenientes do Ministério da Integração Nacional, e compreende uma faixa de 1,2 quilômetro. A ordem de serviço foi assinada pelo prefeito Júnior Matuto.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Fábio Barros, explicou que será utilizada a técnica denominada bagwall, construção que atua como dissipadora de energia de ondas.


Segundo ele, a estrutura consiste em uma escadaria, que terá em média cinco degraus expostos e outros cinco internos. “A onda bate, sobe e cria um movimento reativo que corta a onda que está vindo”, declarou, acrescentando que a experiência já foi utilizada em Alagoas e no Ceará.

Fonte: JC ON LINE

Porque não há um estudo como esse em Jaboatão, Janga ???

22/02/2013 21h34 - Atualizado em 22/02/2013 21h47

Novo laudo ainda aponta desníveis de

 



até 10 metros na Ponta Negra, no AM



CPRM recomenda o monitoramento da área aterrada até 2014. Laudo será encaminhado ao Ministério Público do Estado na segunda-feira.

Eliena MonteiroDo G1 AM

Praia da Ponta Negra estará interditada para o acesso de banhistas durante o Réveillon (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Novo laudo da CPRM recomenda monitoramento da praia até 2014 (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)









O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) entregou, nesta sexta-feira (22), à assessoria do subsecretário municipal de obras públicas, Orlando Holanda, o segundo laudo sobre os estudos realizados na praia artificial da Ponta Negra, localizada na Zona Oeste de Manaus. O órgão constatou que o leito do rio Negro, principalmente na saia do aterro, continua  apresentando desníveis abruptos e depressões que variam de seis a 10 metros de profundidade. No documento, o CPRM recomenda o monitoramento da área aterrada até 2014.
De acordo com o laudo, as condições da praia são similares às encontradas em novembro do ano passado, quando foi realizado o primeiro laudo. O CPRM critica o aterro feito ao longo da praia. "Dado o aspecto construtivo do aterro, realizado sem contenção e a dinâmica fluvial de um grande rio, como o Negro, há de se esperar que ocorra uma alteração em função da erosão fluvial, acomodação do terreno, e transporte de material aterrado", diz trecho do documento.
O CPRM afirmou ainda, que se for levada em consideração a geomorfologia da praia, o rio deverá buscar condições naturais que provocarão erosão do aterro.O órgão também recomenda o monitoramento periódico do leito do rio na área aterrada. "De modo a identificar possíveis alterações durante, no mínimo, um ciclo hidrológico completo, ou seja, até o início da próxima cheia em 2014", afirma o laudo.
No primeiro laudo, o CPRM analisou o comportamento do Rio Negro em 12 de novembro de 2012. Já a segunda análise, foi feita no dia 26 de janeiro deste ano. De acordo com o órgão, com a subida das águas, a diferença entre as linhas de praia nas datas estudadas foi de 5,10 metros na vertical e 70 metros na superfície da praia aterrada.
Levando em consideração o nível do rio no fim de janeiro, o laudo concluiu que os desníveis abruptos e depressões ocorrem somente a partir de uma lâmina de água de seis metros e a distância entre esses pontos e a margem é, em média, 60 metros.
O laudo será encaminhado ao Ministério Público do Estado (MPE-AM) na segunda-feira (25). O superintendente regional de Manaus, Marco Oliveira, enfatizou que só se pronunciará sobre o estudo após reunião da Comissão Especial do MPE, prevista para acontecer na quarta-feira (27). No encontro, será discutido a elaboração da minuta do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com as medidas de segurança e normas para a liberação do balneário.
Ao G1, a assessoria da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) também informou que a pasta vai se manifestar sobre o assunto somente após a reunião com o MPE.
Primeiro laudo
O CPRM já havia recomendado interdição temporária do balneário em novembro de 2012, quando emitiu o primeiro laudo. De acordo com órgão, o aterro artificial da praia havia gerado "desníveis abruptos" de até seis metros, contribuindo para os acidentes que ocasionaram 13 mortes por afogamento no local desde a inauguração, ocorrida em junho do ano passdo.
Na época, o então titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Américo Gorayeb Júnior, contextou as conclusões do laudo. De acordo com Gorayeb, o CPRM havia feito um levantamento de 170 metros de extensão, porém, segundo ele, a plataforma de trabalho da Seminf é de apenas 30 metros. "Óbvio e claro que a partir de 30 metros, eles têm que reclamar pro papai do céu, porque estes 170 metros estão fora da nossa plataforma de trabalho. Se você verificar o laudo, vai ver que dentro dos 30 metros com os quais trabalhamos nunca houve problemas".
Interdição do balneário
Em menos de seis meses em 2012, a Praia da Ponta Negra, principal balneário de Manaus, registrou 12 mortes por afogamento em um trecho de cerca de 300 metros de extensão. A estatística poderia subir para 13, mas não há confirmação de que um corpo encontrado nas águas da praia perene no dia 16 de novembro seja decorrente de afogamento no local.
O número de mortos por afogamento na praia de Manaus é quatro vezes maior do que o registrado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, ao longo de oito meses.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

3º Passeio de Corrida Natalina 2013 - 14/12/13 às 19h



Esta corrida tem um papel social muito importante, pois estará recebendo camisas de corrida e tênis usados. Ótima oportunidade para participar de uma corrida onde o lema é " Diversão, confraternização e muita festa." Esta corrida é realizada pelo Corre 10 reunindo as assessorias de Pernambuco, e o TUBARÕES DO ASFALTO não pode ficar de fora, e com a inscrição custando R$ 35,00 fica melhor ainda. Vamos se juntar nesta corrente solidária.

3º PASSEIO DE CORRIDA NATALINA
 
 
Data Evento:
14/12/2013
 
Inscrições até:
11/12/2013
 
Informações:
Diversão,confraternização e muita festa.
 
Cidade:
Recife / PE
 
Local:
PAÇO ALFANDEGA
 
Horário largada:
19:00
 
Telefone:
81-91843140-8429-0060
 
Organizador:
corre10
 
Site do evento:
http://corre10.ne10.uol.com.br/site/hotsites/corrida-natalina-corre10/
 
Esportes do Evento:
Passeio de Corrida
 
Categorias do Evento:
Corrida 6 km



terça-feira, 26 de novembro de 2013

Squistle


Finalmente um apito que pode ser compartilhado e utilizado 

por mais de uma pessoa sem compartilhar germes! Basta 

apertar para fazê-lo assobiar. Feita de uma PVC plastisol 

macio, a superfície suave torna fácil de usar para todas as 

idades e habilidades. 

Fonte: www.lifesaversdirect.co.uk

2º CORRIDÃO DE TROPA CBMPE - TITÃS DO FOGO


2º Corridão de Tropa CBMPE.






     Será realizado no dia 05 de dezembro de 2013 (quinta-feira), o 2º Corridão de Tropa, 
repetindo o sucesso que foi o primeiro evento. A largada será no Quartel do GBMar (Piedade), próximo ao Hospital da Aeronáutica, às 07:00h, concluindo com a chegada no Quartel do Comando Geral do CBMPE (Av. João de Barros). O convite é para todos os interessados (integrantes do CBMPE ou PMPE) que estiverem em plenas condições físicas para percorrer um trajeto de 16km. Haverá uma viatura militar, que se deslocará em frente da tropa para fazer a segurança e a filmagem do evento, dois motociclistas batedores do GBAPH, para a segurança e o balizamento do trânsito e muita água para os participantes. Lembrando que no dia do evento sairá, às 06:00h, um ônibus do QCG, o qual levará os participantes para o GBMar. Contamos com a sua participação.

Ten. Vitor Marçal - Guarda-vidas na radicado no Hawaii a 18 anos.

Estava lendo a matéria da Revista Fluir na sessão "Bombando" (Mar/2010. Ano 27, Nº03. Ed. 293), que tratava sobre o “atual” (2010)  Ten. Vitor Marçal que trabalha na elite do salvamento aquático havaiano, ele também é um waterman completo e pratica várias modalidades de esportes com prancha, como surf, tow-in, kitesurfe, kitefoil, remada em canoas havaianas, travessias de corridas de pranchas de remada, moutain bike, jiu-jitsu no verão, mergulho e golf. Mas, sua grande paixão é o foilboard ou foilsurfing, modalidade na qual é um dos pioneiros (Waves,2004), fui em busca da matéria, mas não achei. Realizando uma busca pelo seu nome encontrei várias matérias que postarei em seguida, inclusive um vídeo.



A pedra em homenagem a Eddie Aikau está ali, a pouco metros da areia de Waimea Bay. Ela faz lembrar o salva-vidas que desapareceu em 17 de março de 1978 ao sair de um barco que naufragava para tentar buscar ajuda. Hoje, Eddie Aikau dá nome ao campeonato de ondas gigantes disputado naquela praia. E quem ajuda a tomar conta dela é um brasileiro. Vitor Marçal está sempre pronto para um resgate, assim como outros que deixaram o Brasil tempos atrás e obtiveram respeito como salva-vidas nas temidas praias havaianas (GABRIELE LOMBA, 2007). 
Após três anos de muito trabalho informal, um toque do destino acabou levando-o para a nova profissão.


"Quem fala que não tem medo está mentindo. A presença do Eddie é muito forte por tudo o que ele representou" Vitor Marçal, guarda-vidas.
- Eu participei de um resgate (este resgate foi de um ex salva-vidas, entenda que não estava na ativa) e fiquei sabendo que dias depois haveria um teste para recruta. Fiz e passei. O teste físico não é muito difícil, mas depois é preciso passar no de primeiros socorros, entre outros.

Waimea foi uma das primeiras praias onde ele trabalhou. Um lugar mágico, de água cristalina. Durante o inverno havaiano, as ondas ali ficam gigantes, e é necessário proibir banhistas de entrar no mar. No dia seguinte, porém, a praia pode estar como uma baía, sem nenhuma onda.
- Eu me acostumei. Não quero ir para outra praia. Eu limpo a praia, eu nado, eu surfo aqui. A gente cuida da praia. É como se fosse um filho.
O último surfista profissional a morrer em Waimea foi Donnie Solomon, em 1994. Em situações extremas, pode-se ter cãibra, perder a prancha, se machucar, beber água após uma queda ou até mesmo estourar o tímpano.
- Tivemos que ir atrás do Michael Ho. Titus Kinimaka (outro ícone do surfe havaiano) uma vez machucou o fêmur.
Mas engana-se quem pensa que os dias de ondas gigantes dão mais trabalho. Quando o mar tem ondas intermediárias – de 3m a 4m -, a atenção tem de ser redobrada.
- É difícil trabalhar quando as ondas estão com tamanho intermediário porque muita gente quer entrar na água para pegar onda de peito. Quem não conhece a onda, acaba caindo e se machucando feio: quebra o ombro, as costas, o fêmur. É um lugar intenso.

"Eu me acostumei. Não quero ir para outra praia. Eu limpo a praia, eu nado, eu surfo aqui. A gente cuida da praia. É como se fosse um filho" Vitor Marçal, guarda-vidas.
Vitor já perdeu a conta de quantas vezes viu o campeonato Eddie Aikau. No posto, ele guarda uma fotografia antiga do antigo salva-vidas, uma força a mais para encarar os desafios diários.


- Quem fala que não tem medo está mentindo. A presença do Eddie é muito forte por tudo o que ele representou. Ele trabalhava sozinho. Quando acabava o expediente, ia até Sunset ver se estava tudo bem. Naquela época os salva-vidas não ganhavam nada, mas ele fazia pelo amor que tinha ao lugar onde morava – conta. 


Entrevista concedida a Waves cujo título da matéria foi - Viciado em água salgada escrito por Bruno Lemos em 13/05/04 11:09 GMT-03:00.

Salvar vidas não é uma tarefa para qualquer um. Fazer isso no Hawaii, onde o mar possui uma força descomunal, correntes poderosas e ondas gigantes, além de pedras e corais no fundo, sem falar nos tubarões, pode parecer coisa de maluco. Mas foi justamente essa profissão que o brasileiro Vitor Marçal escolheu.

Radicado nas ilhas havaianas, Marçal atua há sete anos como salva-vidas no North Shore de Oahu, região que abriga as principais arenas do surfe mundial, como Waimea, Pipeline e Sunset Beach.

Quais são os principais pontos necessários para ser aceito como salva-vidas no Hawaii?

Ter um certo conhecimento da área local, das ondas, correntes, uma boa forma física, disposição, passar no teste físico de mil jardas na corrida e mil nadando em menos de 25 minutos, remar uma prancha de doze pés indo e voltando quatro vezes num total de 400 metros em menos de quatro minutos e correr 100, nadar 100 e correr mais 100 metros em menos de três minutos, ter credencias e cursos de primeiro socorros e um curso de ressuscitamento cardiopulmonar (CPR), outros cursos como scuba, etc. Os melhores resultados vão para uma entrevista, em que você é ou não aceito, e então fará um curso de três semanas e meia, com todas as técnicas de salvamento dentro dos padrões e regras do Estado havaiano e norte-americano.

Quais são as vantagens e desvantagens dessa profissão?

Vantagens: estilo saudável de vida, teu escritório é na praia, é uma gratificação pessoal única ajudar e salvar vidas, também tem uma aposentadoria, auxílio médico hospitalar, dentista. E por estar num dos lugares mais visuais de onda no mundo. Desvantagens: o salário é razoável considerando as condições do inverno havaiano, alguns se machucam em resgates, você arrisca sua própria vida para salvar uma outra, o nível de stress no inverno é alto, mas amo meu trabalho.

Qual o momento mais marcante da sua carreira?

Uma gratificação única e um bem estar em saber que você fez uma diferença na vida de uma pessoa, como um senhor de 73 anos que eu ressuscitei e viveu, ele me disse: "Deus foi a primeira pessoa que me deu a vida, a segunda foi meu pai e você me deu ela de novo pela terceira vez".

Durante os últimos anos ocorreram muitos afogamentos, desaparecimentos e até mesmo algumas mortes no North Shore relacionadas ao oceano e/ou ondas grandes. Quais foram os casos mais famosos e quais os conselhos para evitá-los?

Tivemos muitos incidentes em praias na costa do North Shore que não são guardadas pelos salva-vidas, como Keiki, Logs, Backyards, Mokuleia e outras. Muitos desses incidentes também aconteceram antes das nove da manhã e depois das seis da tarde, considerando que fazemos hora-extra dependendo das condições, especialmente se o mar está subindo durante a tarde. Ultimamente fizemos muitos resgates após o horário de trabalho, ou seja, praticamente no escuro. Outros casos foram em lugares onde todos sabemos existir a probabilidade de ter tubarão, temos um dos mais perigosos do mundo habitando as águas havaianas. Tivemos uma garota militar que desapareceu no quebra côco de Waimea à noite e recentemente uma outra em Backyards que não foi encontrada, além de um turista alemão no reef de Velzyland em direção a Revelations. Tentamos ressuscitar um argentino em Logs e usamos todos os recursos disponíveis, mas ele tinha ficado embaixo por muito tempo e provavelmente sofreu um grande impacto, que provocou um desmaio e eventualmente veio a se afogar.

Um conselho, em geral para os caçadores de fama e fotos: respeite as condições, se informe melhor sobre as condições do mar, vento, correntes, bancada, canal, etc. Surfe em lugares com salva-vidas, procure obter informações das ondulações que podem ou não crescer durante o decorrer do dia, esteja em boa forma, tenha uma boa atitude, conheça seus próprios limites e vá aos poucos se adaptando às condições do lugar, pois o mar aqui vai de 2 a 20 pés em poucas horas. Um conselho especial: pegue a famosa onda "saideira" antes do sol se pôr, ou a possibilidades de você ficar lá fora e virar parte da cadeia alimentar marinha é grande. Tivemos casos de surfistas resgatados pela guarda costeira às 10 horas da noite no outside de Pipeline. As correntes aqui são muito fortes, como a de Waimea, Pupukea (Pipe), Sunset, Backyards e Phantoms, e se você perder a prancha se prepare para usar o plano B, pois será no mínimo 45 minutos a uma hora de nado até a praia. Não é sempre que a equipe de resgate vai estar na área, a costa do North Shore é grande.

Como você iniciou na pintura, qual seu estilo e de onde vem a sua inspiração?

É só um passatempo, uma descompressão de todas estas atividades, a pintura me relaxa. Meu estilo é o mais realista possível, sou muito detalhista, uso acrílico na tela. Pinto tartarugas marinhas pela dificuldade dos detalhes, como o casco, água, luz, sombra, cores e texturas dos corais, tudo num só elemento. Mas venho pintando alguns 
gorilas também, acho impressionante a expressão do olhar humano neles. Minha inspiração vem dos artistas locais, como Wyland, Cris Lassen, mas sempre procuro aprender alguma coisa nas obras de Leonardo da Vinci. Quero também desenvolver novos estilos e técnicas com temas diferentes, como ondas, surf, cultura havaiana, etc. Atualmente meus quadros custam de US$ 300 a US$ 5 mil os originais.





Fale sobre como e aonde surgiu o foilboard, qual o tipo de onda ideal, os principais praticantes e dificuldades?

O esporte surgiu em Maui, através de experiências com uma cadeirinha equipada com um hydrofoil feita por Rush Randle, Laird Hamilton, Mark Angulo e Bret Lickle, que adaptaram a quilha numa prancha e testaram em pé nela, puxados pelo jet-ski, e logo depois nas ondas. O tipo de onda ideal é o vagalhão, que não quebra. É  incrível poder surfá-las planando numa quilha de quase um metro. Também há possibilidade de surfar ondas que quebram, vai depender do tempo e experiência do surfista.




Você é capaz de surfar partes da onda que nunca imaginaria ser possível, a velocidade e a suavidade são incríveis, você pode surfar por um longo tempo. Surfamos muitos dos outside reefs, ondulações que formam bem lá fora. O Rush Randle é o melhor da modalidade, trocamos muitas idéias e fatos, fazemos estudos e ajustes na quilha de hydrofoil e comparamos quando nos encontramos. Laird, Dave Kalama, Pete Cabrinha, Archie Kalepa, Kevin Ozzie são caras que andam muito, e no Brasil o Luis Gontier (Pipo) também vem arrebentando nas águas do litoral paulista. As dificuldades estão no fato de que para aprender ,você precisa de um bom piloto no jet-ski, muita paciência e lembre: você está quase um metro fora da água, quando você cai há um certo impacto. Utilizamos botas de snowboard e estamos conectados com a prancha, e em alguns casos tem que tomar algumas ondas na cabeça - mas há um dispositivo rápido caso tenha que se desconectar. O equilíbrio na onda é fundamental, a quilha é muito sensível e a foil atinge velocidades que podem chegar a 60 km por hora.


http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Surfe/0,,MUL236653-7497,00.html Gabrieli Lomba - 22/12/2007.  acesso dia 26/11/13 

Entrevista com Brian Keaulana

       

           “ANTES DE ANDAR EU JÁ NADAVA”, DIZ ELE SOBRE SUA VOCAÇÃO NATURAL PARA LIDAR COM O MAR E SITUAÇÕES DE PERIGO. AOS 49 ANOS, BRIAN NASCEU E CRESCEU NA FAMOSA PRAIA DE MAKAHA, LADO OESTE DA ILHA DE OAHU, BERÇO DO SURF NO HAWAII. “NAQUELA ÉPOCA NINGUÉM NEM PENSAVA EM SURFAR NO NORTH SHORE, QUE ERA CONSIDERADO UM LUGAR PERIGOSO E FORA DE CONTROLE. FOI EM MAKAHA QUE O SURF DE ONDAS GRANDES E AS COMPETIÇÕES COMEÇARAM DE FATO”, AFIRMA KEAULANA. ELE ESTEVE PELA PRIMEIRA VEZ NO BRASIL EM SETEMBRO DO ANO PASSADO, ONDE PARTICIPOU DO II EARTHWAVE FESTIVAL DE SURF ECOVIAS, EM SANTOS, NO LITORAL PAULISTA: “JÁ RODEI QUASE O MUNDO INTEIRO E DE LONGE ESSA FOI A MINHA MELHOR VIAGEM”. DE SUA CASA EM MAKAHA, BRIAN CONCEDEU A SEGUINTE ENTREVISTA POR E-MAIL PARA O BLOG POR DENTRO DAS ONDAS.

01.QUAL A SITUAÇÃO MAIS COMPLICADA NUM SALVAMENTO E QUAL FOI O RESGATE MAIS DIFÍCIL QUE VOCÊ JÁ FEZ?
A pior coisa é você não estar preparado ou não ter treinado para um determinado tipo de situação. Por isso, planejamento e treino são fundamentais. Tem um resgate que até hoje não sai da minha cabeça. Foi em Makaha, antes da introdução dos jet-skis. Estava quase de noite e vi um cara gritando na água, o mar estava bem grande e mexido. Eu e a Rell Sun (falecida surfista havaiana) pulamos na água para salvá-lo, mas a correnteza era muito forte e o havia pegado. Eu estava a cerca de 20 metros e ele gritava desesperado para mim, mas não consegui chegar perto o suficiente para resgatá-lo. Depois de uma série grande, ele desapareceu e nunca mais o vimos. Até hoje eu ainda ouço a voz dele gritando e ainda me lembro do olhar dele. Essa é a pior parte dessa profissão, pois ninguém o treina para lidar com esse tipo de coisa. É preciso ter uma mente muito forte para ser salva-vidas, é muito difícil quando você perde alguém. Em compensação, salvar uma pessoa é uma recompensa grande. Lembro de um resgate que fiz em Yokohamas, quando um cara foi varrido por uma onda grande e ficou preso numa caverna por duas horas e meia. Alguém filmou esse resgate e depois pudemos usar o vídeo para educar outras pessoas sobre o que se deve fazer em situações parecidas.

 02. VOCÊ AINDA TRABALHA COMO SALVA-VIDAS?
Na verdade hoje estou apenas treinando os salva-vidas, principalmente os novatos. Inclusive, foi esse um dos motivos da minha ida ao Brasil. Fui convidado para dar um curso em Recife por intermédio do Lapo (Coutinho, juiz baiano que vive há anos no Hawaii), um grande amigo que morava em Makaha, verdadeiro “beach boy” (risos). Minha agenda é realmente cheia e atendi ao pedido dele primeiramente como amigo, mas depois pesquisei e descobri que Recife é considerado o lugar com mais ataques de tubarões do mundo. Percebi que era uma situação extrema e que iria valer a pena. Fui com o Halph Goto, chefe do Water Safety Division de Honolulu, e Victor Marçal, um excepcional waterman. Participaram do curso todos os salva-vidas que lidam com os ataques de tubarões, o corpo de bombeiros e alguns surfistas locais. Nós os ensinamos a trabalhar em equipe e a lidar com situações específicas. Foi uma semana intensa e acho que eles aprenderam muitas coisas.

03. COMO VOCÊ ANALISA A EVOLUÇÃO DAS TÉCNICAS DE RESGATE?
Nosso sistema de comunicação evoluiu muito, os rádios que temos hoje são muito bons. Também destaco o esquema de sempre trabalhar em equipe. É como um time de futebol, cada um tem a sua área para jogar, não adianta todo mundo correndo atrás da bola ao mesmo tempo. Claro que o jet-ski ajuda muito, mas você tem que sempre lembrar que é uma máquina e que o piloto precisa ter muita experiência no mar. Temos investido tanto nisso que a técnica de resgate com o trabalho em equipe fez com que tudo ficasse mais funcional.

04. COMO FOI SUA EXPERIÊNCIA NO BRASIL?
Foi minha primeira vez no Brasil e foi totalmente diferente do que eu esperava. Estou acostumado a ouvir tanta coisa ruim sobre brasileiros no North Shore, que pra falar a verdade estava meio cabreiro, apesar de nunca ter tido nenhum problema com brasileiros, pelo contrário. Os poucos que conheço são bons amigos. Quando cheguei lá todas as pessoas que conheci me trataram excepcionalmente bem, exatamente com o mesmo “aloha feeling” que a minha família aqui no Hawaii. Eu me diverti muito no Brasil, você não faz idéia. Um dia, no Rio de Janeiro, fomos a um show de samba que foi alucinante. Ouvir aquela batida forte, aquela percussão é contagiante demais. Já fui para o Japão, Tahiti, Nova Zelândia, já rodei quase o mundo inteiro e de longe essa foi a minha melhor viagem.

05. VOCÊ PARTICIPOU DO RECORDE DE SURFISTAS NUMA MESMA ONDA BATIDO EM SANTOS?
Isso também foi alucinante. O Rico (de Souza) e o Picuruta tiveram muito trabalho para coordenar todo mundo com bandeiras, etc. No início foi meio difícil, mas depois acabou dando certo, fiquei amarradão em ter sido um dos 88 surfistas naquela onda. Foi bem divertido. Pretendo voltar no ano que vem para divulgar e ensinar um pouco da cultura havaiana no Brasil. Queremos ensinar o pessoal a surfar de tanden, canoas havaianas, Stand Up, Surfing e também tentar arrumar patrocínios ou empresas que possam doar equipamentos para os salva-vidas em Recife. Outro plano é tentar bater o recorde de maior número de surfistas em uma onda em Waikiki, na próxima Duke Fest, e criar uma competição saudável entre o Brasil e o Hawaii. Sei que não será fácil, pois em Santos havia 300 caras na água e apenas 88 conseguiram surfar a onda. Mas vamos tentar.

06. FALANDO NISSO, O BIG BOARD BUFFALO CLASSIC, DO SEU PAI, É UM DOS FESTIVAIS MAIS DIVERTIDOS DO SURF. COMO SURGIU A IDÉIA?
A idéia surgiu depois que meu pai navegou até o Tahiti no Hokulea, uma réplica das embarcações polinésias antigas. Ele foi apenas seguindo as estrelas e pôde meditar muito sobre a vida. Quando voltou, resolveu fazer esse evento para melhorar a comunidade. Tem música ao vivo na praia, comida, jogos e todo tipo de categoria de surf que se pode imaginar. São 16 categorias diferentes, desde surf de peito a tanden, paipo, canoas nas ondas, longboard, bully board. O evento é sempre alto-astral e isso meio que mudou a cara de toda a Costa Oeste. Já faz 30 anos que o evento acontece todos os anos e todo mundo adora. É como a olimpíada dos waterman (risos).


07. O QUE VOCÊ DIRIA PARA OS BRASILEIROS QUE QUEREM VIR PARA O HAWAII SURFAR?
Entendo bem como é isso, você vem de longe querendo pegar altas ondas, chega aqui faminto, querendo realizar o sonho de surfar no Hawaii. Mas chega aqui e encontra centenas de pessoas querendo a mesma coisa, aí fica difícil para todo mundo. Meu toque é lembrar que existem vários picos no North Shore que quase ninguém surfa e pode ser bem mais prazeroso do que ficar remando e esbarrando no crowd. Engraçado que um tempo atrás eu tive que filmar uma cena em Waimea e tinha uns 40 caras na água. A maioria era brasileira e eu pedi pra galera me aliviar apenas uma onda, em que quatro surfistas iriam descer juntos com umas pranchas antigas. Todos os brasileiros me ajudaram, o único cara que ficou reclamando foi um havaiano. Irônico, não é? Nossa vibe em Makaha sempre foi de ensinar e repassar nossa sabedoria, tudo que eu aprendi com o meu pai eu tento passar adiante. Essa é nossa meta, ficamos orgulhosos com isso e quem sabe podemos até aprender algo novo depois. Essa sempre foi a nossa maneira de ser, de nunca querer ser melhor que os outros, mas fazer os outros serem melhor que nós. É assim que se faz amigos, você ajuda alguém agora e lá na frente ele te ajuda também. Esse é o real espírito “Aloha”.