quarta-feira, 27 de novembro de 2013

3º Passeio de Corrida Natalina 2013 - 14/12/13 às 19h



Esta corrida tem um papel social muito importante, pois estará recebendo camisas de corrida e tênis usados. Ótima oportunidade para participar de uma corrida onde o lema é " Diversão, confraternização e muita festa." Esta corrida é realizada pelo Corre 10 reunindo as assessorias de Pernambuco, e o TUBARÕES DO ASFALTO não pode ficar de fora, e com a inscrição custando R$ 35,00 fica melhor ainda. Vamos se juntar nesta corrente solidária.

3º PASSEIO DE CORRIDA NATALINA
 
 
Data Evento:
14/12/2013
 
Inscrições até:
11/12/2013
 
Informações:
Diversão,confraternização e muita festa.
 
Cidade:
Recife / PE
 
Local:
PAÇO ALFANDEGA
 
Horário largada:
19:00
 
Telefone:
81-91843140-8429-0060
 
Organizador:
corre10
 
Site do evento:
http://corre10.ne10.uol.com.br/site/hotsites/corrida-natalina-corre10/
 
Esportes do Evento:
Passeio de Corrida
 
Categorias do Evento:
Corrida 6 km



terça-feira, 26 de novembro de 2013

Squistle


Finalmente um apito que pode ser compartilhado e utilizado 

por mais de uma pessoa sem compartilhar germes! Basta 

apertar para fazê-lo assobiar. Feita de uma PVC plastisol 

macio, a superfície suave torna fácil de usar para todas as 

idades e habilidades. 

Fonte: www.lifesaversdirect.co.uk

2º CORRIDÃO DE TROPA CBMPE - TITÃS DO FOGO


2º Corridão de Tropa CBMPE.






     Será realizado no dia 05 de dezembro de 2013 (quinta-feira), o 2º Corridão de Tropa, 
repetindo o sucesso que foi o primeiro evento. A largada será no Quartel do GBMar (Piedade), próximo ao Hospital da Aeronáutica, às 07:00h, concluindo com a chegada no Quartel do Comando Geral do CBMPE (Av. João de Barros). O convite é para todos os interessados (integrantes do CBMPE ou PMPE) que estiverem em plenas condições físicas para percorrer um trajeto de 16km. Haverá uma viatura militar, que se deslocará em frente da tropa para fazer a segurança e a filmagem do evento, dois motociclistas batedores do GBAPH, para a segurança e o balizamento do trânsito e muita água para os participantes. Lembrando que no dia do evento sairá, às 06:00h, um ônibus do QCG, o qual levará os participantes para o GBMar. Contamos com a sua participação.

Ten. Vitor Marçal - Guarda-vidas na radicado no Hawaii a 18 anos.

Estava lendo a matéria da Revista Fluir na sessão "Bombando" (Mar/2010. Ano 27, Nº03. Ed. 293), que tratava sobre o “atual” (2010)  Ten. Vitor Marçal que trabalha na elite do salvamento aquático havaiano, ele também é um waterman completo e pratica várias modalidades de esportes com prancha, como surf, tow-in, kitesurfe, kitefoil, remada em canoas havaianas, travessias de corridas de pranchas de remada, moutain bike, jiu-jitsu no verão, mergulho e golf. Mas, sua grande paixão é o foilboard ou foilsurfing, modalidade na qual é um dos pioneiros (Waves,2004), fui em busca da matéria, mas não achei. Realizando uma busca pelo seu nome encontrei várias matérias que postarei em seguida, inclusive um vídeo.



A pedra em homenagem a Eddie Aikau está ali, a pouco metros da areia de Waimea Bay. Ela faz lembrar o salva-vidas que desapareceu em 17 de março de 1978 ao sair de um barco que naufragava para tentar buscar ajuda. Hoje, Eddie Aikau dá nome ao campeonato de ondas gigantes disputado naquela praia. E quem ajuda a tomar conta dela é um brasileiro. Vitor Marçal está sempre pronto para um resgate, assim como outros que deixaram o Brasil tempos atrás e obtiveram respeito como salva-vidas nas temidas praias havaianas (GABRIELE LOMBA, 2007). 
Após três anos de muito trabalho informal, um toque do destino acabou levando-o para a nova profissão.


"Quem fala que não tem medo está mentindo. A presença do Eddie é muito forte por tudo o que ele representou" Vitor Marçal, guarda-vidas.
- Eu participei de um resgate (este resgate foi de um ex salva-vidas, entenda que não estava na ativa) e fiquei sabendo que dias depois haveria um teste para recruta. Fiz e passei. O teste físico não é muito difícil, mas depois é preciso passar no de primeiros socorros, entre outros.

Waimea foi uma das primeiras praias onde ele trabalhou. Um lugar mágico, de água cristalina. Durante o inverno havaiano, as ondas ali ficam gigantes, e é necessário proibir banhistas de entrar no mar. No dia seguinte, porém, a praia pode estar como uma baía, sem nenhuma onda.
- Eu me acostumei. Não quero ir para outra praia. Eu limpo a praia, eu nado, eu surfo aqui. A gente cuida da praia. É como se fosse um filho.
O último surfista profissional a morrer em Waimea foi Donnie Solomon, em 1994. Em situações extremas, pode-se ter cãibra, perder a prancha, se machucar, beber água após uma queda ou até mesmo estourar o tímpano.
- Tivemos que ir atrás do Michael Ho. Titus Kinimaka (outro ícone do surfe havaiano) uma vez machucou o fêmur.
Mas engana-se quem pensa que os dias de ondas gigantes dão mais trabalho. Quando o mar tem ondas intermediárias – de 3m a 4m -, a atenção tem de ser redobrada.
- É difícil trabalhar quando as ondas estão com tamanho intermediário porque muita gente quer entrar na água para pegar onda de peito. Quem não conhece a onda, acaba caindo e se machucando feio: quebra o ombro, as costas, o fêmur. É um lugar intenso.

"Eu me acostumei. Não quero ir para outra praia. Eu limpo a praia, eu nado, eu surfo aqui. A gente cuida da praia. É como se fosse um filho" Vitor Marçal, guarda-vidas.
Vitor já perdeu a conta de quantas vezes viu o campeonato Eddie Aikau. No posto, ele guarda uma fotografia antiga do antigo salva-vidas, uma força a mais para encarar os desafios diários.


- Quem fala que não tem medo está mentindo. A presença do Eddie é muito forte por tudo o que ele representou. Ele trabalhava sozinho. Quando acabava o expediente, ia até Sunset ver se estava tudo bem. Naquela época os salva-vidas não ganhavam nada, mas ele fazia pelo amor que tinha ao lugar onde morava – conta. 


Entrevista concedida a Waves cujo título da matéria foi - Viciado em água salgada escrito por Bruno Lemos em 13/05/04 11:09 GMT-03:00.

Salvar vidas não é uma tarefa para qualquer um. Fazer isso no Hawaii, onde o mar possui uma força descomunal, correntes poderosas e ondas gigantes, além de pedras e corais no fundo, sem falar nos tubarões, pode parecer coisa de maluco. Mas foi justamente essa profissão que o brasileiro Vitor Marçal escolheu.

Radicado nas ilhas havaianas, Marçal atua há sete anos como salva-vidas no North Shore de Oahu, região que abriga as principais arenas do surfe mundial, como Waimea, Pipeline e Sunset Beach.

Quais são os principais pontos necessários para ser aceito como salva-vidas no Hawaii?

Ter um certo conhecimento da área local, das ondas, correntes, uma boa forma física, disposição, passar no teste físico de mil jardas na corrida e mil nadando em menos de 25 minutos, remar uma prancha de doze pés indo e voltando quatro vezes num total de 400 metros em menos de quatro minutos e correr 100, nadar 100 e correr mais 100 metros em menos de três minutos, ter credencias e cursos de primeiro socorros e um curso de ressuscitamento cardiopulmonar (CPR), outros cursos como scuba, etc. Os melhores resultados vão para uma entrevista, em que você é ou não aceito, e então fará um curso de três semanas e meia, com todas as técnicas de salvamento dentro dos padrões e regras do Estado havaiano e norte-americano.

Quais são as vantagens e desvantagens dessa profissão?

Vantagens: estilo saudável de vida, teu escritório é na praia, é uma gratificação pessoal única ajudar e salvar vidas, também tem uma aposentadoria, auxílio médico hospitalar, dentista. E por estar num dos lugares mais visuais de onda no mundo. Desvantagens: o salário é razoável considerando as condições do inverno havaiano, alguns se machucam em resgates, você arrisca sua própria vida para salvar uma outra, o nível de stress no inverno é alto, mas amo meu trabalho.

Qual o momento mais marcante da sua carreira?

Uma gratificação única e um bem estar em saber que você fez uma diferença na vida de uma pessoa, como um senhor de 73 anos que eu ressuscitei e viveu, ele me disse: "Deus foi a primeira pessoa que me deu a vida, a segunda foi meu pai e você me deu ela de novo pela terceira vez".

Durante os últimos anos ocorreram muitos afogamentos, desaparecimentos e até mesmo algumas mortes no North Shore relacionadas ao oceano e/ou ondas grandes. Quais foram os casos mais famosos e quais os conselhos para evitá-los?

Tivemos muitos incidentes em praias na costa do North Shore que não são guardadas pelos salva-vidas, como Keiki, Logs, Backyards, Mokuleia e outras. Muitos desses incidentes também aconteceram antes das nove da manhã e depois das seis da tarde, considerando que fazemos hora-extra dependendo das condições, especialmente se o mar está subindo durante a tarde. Ultimamente fizemos muitos resgates após o horário de trabalho, ou seja, praticamente no escuro. Outros casos foram em lugares onde todos sabemos existir a probabilidade de ter tubarão, temos um dos mais perigosos do mundo habitando as águas havaianas. Tivemos uma garota militar que desapareceu no quebra côco de Waimea à noite e recentemente uma outra em Backyards que não foi encontrada, além de um turista alemão no reef de Velzyland em direção a Revelations. Tentamos ressuscitar um argentino em Logs e usamos todos os recursos disponíveis, mas ele tinha ficado embaixo por muito tempo e provavelmente sofreu um grande impacto, que provocou um desmaio e eventualmente veio a se afogar.

Um conselho, em geral para os caçadores de fama e fotos: respeite as condições, se informe melhor sobre as condições do mar, vento, correntes, bancada, canal, etc. Surfe em lugares com salva-vidas, procure obter informações das ondulações que podem ou não crescer durante o decorrer do dia, esteja em boa forma, tenha uma boa atitude, conheça seus próprios limites e vá aos poucos se adaptando às condições do lugar, pois o mar aqui vai de 2 a 20 pés em poucas horas. Um conselho especial: pegue a famosa onda "saideira" antes do sol se pôr, ou a possibilidades de você ficar lá fora e virar parte da cadeia alimentar marinha é grande. Tivemos casos de surfistas resgatados pela guarda costeira às 10 horas da noite no outside de Pipeline. As correntes aqui são muito fortes, como a de Waimea, Pupukea (Pipe), Sunset, Backyards e Phantoms, e se você perder a prancha se prepare para usar o plano B, pois será no mínimo 45 minutos a uma hora de nado até a praia. Não é sempre que a equipe de resgate vai estar na área, a costa do North Shore é grande.

Como você iniciou na pintura, qual seu estilo e de onde vem a sua inspiração?

É só um passatempo, uma descompressão de todas estas atividades, a pintura me relaxa. Meu estilo é o mais realista possível, sou muito detalhista, uso acrílico na tela. Pinto tartarugas marinhas pela dificuldade dos detalhes, como o casco, água, luz, sombra, cores e texturas dos corais, tudo num só elemento. Mas venho pintando alguns 
gorilas também, acho impressionante a expressão do olhar humano neles. Minha inspiração vem dos artistas locais, como Wyland, Cris Lassen, mas sempre procuro aprender alguma coisa nas obras de Leonardo da Vinci. Quero também desenvolver novos estilos e técnicas com temas diferentes, como ondas, surf, cultura havaiana, etc. Atualmente meus quadros custam de US$ 300 a US$ 5 mil os originais.





Fale sobre como e aonde surgiu o foilboard, qual o tipo de onda ideal, os principais praticantes e dificuldades?

O esporte surgiu em Maui, através de experiências com uma cadeirinha equipada com um hydrofoil feita por Rush Randle, Laird Hamilton, Mark Angulo e Bret Lickle, que adaptaram a quilha numa prancha e testaram em pé nela, puxados pelo jet-ski, e logo depois nas ondas. O tipo de onda ideal é o vagalhão, que não quebra. É  incrível poder surfá-las planando numa quilha de quase um metro. Também há possibilidade de surfar ondas que quebram, vai depender do tempo e experiência do surfista.




Você é capaz de surfar partes da onda que nunca imaginaria ser possível, a velocidade e a suavidade são incríveis, você pode surfar por um longo tempo. Surfamos muitos dos outside reefs, ondulações que formam bem lá fora. O Rush Randle é o melhor da modalidade, trocamos muitas idéias e fatos, fazemos estudos e ajustes na quilha de hydrofoil e comparamos quando nos encontramos. Laird, Dave Kalama, Pete Cabrinha, Archie Kalepa, Kevin Ozzie são caras que andam muito, e no Brasil o Luis Gontier (Pipo) também vem arrebentando nas águas do litoral paulista. As dificuldades estão no fato de que para aprender ,você precisa de um bom piloto no jet-ski, muita paciência e lembre: você está quase um metro fora da água, quando você cai há um certo impacto. Utilizamos botas de snowboard e estamos conectados com a prancha, e em alguns casos tem que tomar algumas ondas na cabeça - mas há um dispositivo rápido caso tenha que se desconectar. O equilíbrio na onda é fundamental, a quilha é muito sensível e a foil atinge velocidades que podem chegar a 60 km por hora.


http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Surfe/0,,MUL236653-7497,00.html Gabrieli Lomba - 22/12/2007.  acesso dia 26/11/13 

Entrevista com Brian Keaulana

       

           “ANTES DE ANDAR EU JÁ NADAVA”, DIZ ELE SOBRE SUA VOCAÇÃO NATURAL PARA LIDAR COM O MAR E SITUAÇÕES DE PERIGO. AOS 49 ANOS, BRIAN NASCEU E CRESCEU NA FAMOSA PRAIA DE MAKAHA, LADO OESTE DA ILHA DE OAHU, BERÇO DO SURF NO HAWAII. “NAQUELA ÉPOCA NINGUÉM NEM PENSAVA EM SURFAR NO NORTH SHORE, QUE ERA CONSIDERADO UM LUGAR PERIGOSO E FORA DE CONTROLE. FOI EM MAKAHA QUE O SURF DE ONDAS GRANDES E AS COMPETIÇÕES COMEÇARAM DE FATO”, AFIRMA KEAULANA. ELE ESTEVE PELA PRIMEIRA VEZ NO BRASIL EM SETEMBRO DO ANO PASSADO, ONDE PARTICIPOU DO II EARTHWAVE FESTIVAL DE SURF ECOVIAS, EM SANTOS, NO LITORAL PAULISTA: “JÁ RODEI QUASE O MUNDO INTEIRO E DE LONGE ESSA FOI A MINHA MELHOR VIAGEM”. DE SUA CASA EM MAKAHA, BRIAN CONCEDEU A SEGUINTE ENTREVISTA POR E-MAIL PARA O BLOG POR DENTRO DAS ONDAS.

01.QUAL A SITUAÇÃO MAIS COMPLICADA NUM SALVAMENTO E QUAL FOI O RESGATE MAIS DIFÍCIL QUE VOCÊ JÁ FEZ?
A pior coisa é você não estar preparado ou não ter treinado para um determinado tipo de situação. Por isso, planejamento e treino são fundamentais. Tem um resgate que até hoje não sai da minha cabeça. Foi em Makaha, antes da introdução dos jet-skis. Estava quase de noite e vi um cara gritando na água, o mar estava bem grande e mexido. Eu e a Rell Sun (falecida surfista havaiana) pulamos na água para salvá-lo, mas a correnteza era muito forte e o havia pegado. Eu estava a cerca de 20 metros e ele gritava desesperado para mim, mas não consegui chegar perto o suficiente para resgatá-lo. Depois de uma série grande, ele desapareceu e nunca mais o vimos. Até hoje eu ainda ouço a voz dele gritando e ainda me lembro do olhar dele. Essa é a pior parte dessa profissão, pois ninguém o treina para lidar com esse tipo de coisa. É preciso ter uma mente muito forte para ser salva-vidas, é muito difícil quando você perde alguém. Em compensação, salvar uma pessoa é uma recompensa grande. Lembro de um resgate que fiz em Yokohamas, quando um cara foi varrido por uma onda grande e ficou preso numa caverna por duas horas e meia. Alguém filmou esse resgate e depois pudemos usar o vídeo para educar outras pessoas sobre o que se deve fazer em situações parecidas.

 02. VOCÊ AINDA TRABALHA COMO SALVA-VIDAS?
Na verdade hoje estou apenas treinando os salva-vidas, principalmente os novatos. Inclusive, foi esse um dos motivos da minha ida ao Brasil. Fui convidado para dar um curso em Recife por intermédio do Lapo (Coutinho, juiz baiano que vive há anos no Hawaii), um grande amigo que morava em Makaha, verdadeiro “beach boy” (risos). Minha agenda é realmente cheia e atendi ao pedido dele primeiramente como amigo, mas depois pesquisei e descobri que Recife é considerado o lugar com mais ataques de tubarões do mundo. Percebi que era uma situação extrema e que iria valer a pena. Fui com o Halph Goto, chefe do Water Safety Division de Honolulu, e Victor Marçal, um excepcional waterman. Participaram do curso todos os salva-vidas que lidam com os ataques de tubarões, o corpo de bombeiros e alguns surfistas locais. Nós os ensinamos a trabalhar em equipe e a lidar com situações específicas. Foi uma semana intensa e acho que eles aprenderam muitas coisas.

03. COMO VOCÊ ANALISA A EVOLUÇÃO DAS TÉCNICAS DE RESGATE?
Nosso sistema de comunicação evoluiu muito, os rádios que temos hoje são muito bons. Também destaco o esquema de sempre trabalhar em equipe. É como um time de futebol, cada um tem a sua área para jogar, não adianta todo mundo correndo atrás da bola ao mesmo tempo. Claro que o jet-ski ajuda muito, mas você tem que sempre lembrar que é uma máquina e que o piloto precisa ter muita experiência no mar. Temos investido tanto nisso que a técnica de resgate com o trabalho em equipe fez com que tudo ficasse mais funcional.

04. COMO FOI SUA EXPERIÊNCIA NO BRASIL?
Foi minha primeira vez no Brasil e foi totalmente diferente do que eu esperava. Estou acostumado a ouvir tanta coisa ruim sobre brasileiros no North Shore, que pra falar a verdade estava meio cabreiro, apesar de nunca ter tido nenhum problema com brasileiros, pelo contrário. Os poucos que conheço são bons amigos. Quando cheguei lá todas as pessoas que conheci me trataram excepcionalmente bem, exatamente com o mesmo “aloha feeling” que a minha família aqui no Hawaii. Eu me diverti muito no Brasil, você não faz idéia. Um dia, no Rio de Janeiro, fomos a um show de samba que foi alucinante. Ouvir aquela batida forte, aquela percussão é contagiante demais. Já fui para o Japão, Tahiti, Nova Zelândia, já rodei quase o mundo inteiro e de longe essa foi a minha melhor viagem.

05. VOCÊ PARTICIPOU DO RECORDE DE SURFISTAS NUMA MESMA ONDA BATIDO EM SANTOS?
Isso também foi alucinante. O Rico (de Souza) e o Picuruta tiveram muito trabalho para coordenar todo mundo com bandeiras, etc. No início foi meio difícil, mas depois acabou dando certo, fiquei amarradão em ter sido um dos 88 surfistas naquela onda. Foi bem divertido. Pretendo voltar no ano que vem para divulgar e ensinar um pouco da cultura havaiana no Brasil. Queremos ensinar o pessoal a surfar de tanden, canoas havaianas, Stand Up, Surfing e também tentar arrumar patrocínios ou empresas que possam doar equipamentos para os salva-vidas em Recife. Outro plano é tentar bater o recorde de maior número de surfistas em uma onda em Waikiki, na próxima Duke Fest, e criar uma competição saudável entre o Brasil e o Hawaii. Sei que não será fácil, pois em Santos havia 300 caras na água e apenas 88 conseguiram surfar a onda. Mas vamos tentar.

06. FALANDO NISSO, O BIG BOARD BUFFALO CLASSIC, DO SEU PAI, É UM DOS FESTIVAIS MAIS DIVERTIDOS DO SURF. COMO SURGIU A IDÉIA?
A idéia surgiu depois que meu pai navegou até o Tahiti no Hokulea, uma réplica das embarcações polinésias antigas. Ele foi apenas seguindo as estrelas e pôde meditar muito sobre a vida. Quando voltou, resolveu fazer esse evento para melhorar a comunidade. Tem música ao vivo na praia, comida, jogos e todo tipo de categoria de surf que se pode imaginar. São 16 categorias diferentes, desde surf de peito a tanden, paipo, canoas nas ondas, longboard, bully board. O evento é sempre alto-astral e isso meio que mudou a cara de toda a Costa Oeste. Já faz 30 anos que o evento acontece todos os anos e todo mundo adora. É como a olimpíada dos waterman (risos).


07. O QUE VOCÊ DIRIA PARA OS BRASILEIROS QUE QUEREM VIR PARA O HAWAII SURFAR?
Entendo bem como é isso, você vem de longe querendo pegar altas ondas, chega aqui faminto, querendo realizar o sonho de surfar no Hawaii. Mas chega aqui e encontra centenas de pessoas querendo a mesma coisa, aí fica difícil para todo mundo. Meu toque é lembrar que existem vários picos no North Shore que quase ninguém surfa e pode ser bem mais prazeroso do que ficar remando e esbarrando no crowd. Engraçado que um tempo atrás eu tive que filmar uma cena em Waimea e tinha uns 40 caras na água. A maioria era brasileira e eu pedi pra galera me aliviar apenas uma onda, em que quatro surfistas iriam descer juntos com umas pranchas antigas. Todos os brasileiros me ajudaram, o único cara que ficou reclamando foi um havaiano. Irônico, não é? Nossa vibe em Makaha sempre foi de ensinar e repassar nossa sabedoria, tudo que eu aprendi com o meu pai eu tento passar adiante. Essa é nossa meta, ficamos orgulhosos com isso e quem sabe podemos até aprender algo novo depois. Essa sempre foi a nossa maneira de ser, de nunca querer ser melhor que os outros, mas fazer os outros serem melhor que nós. É assim que se faz amigos, você ajuda alguém agora e lá na frente ele te ajuda também. Esse é o real espírito “Aloha”.

Surfista guarda-vidas

Estava lendo este blog Por dentro das ondas e me lembrei do meu amigo Jr. Chuva o qual dedico esta postagem. Gostaria que ele contasse suas aventuras como surfista guarda-vida. Estamos esperando.
Abraço!


No começo do surf aqui no Brasil, quando ainda não tinha sido inventada a cordinha, os surfistas não eram muito bem-vistos pelos banhistas, isso porque volta e meia vinha do fundo uma prancha perdida pra rachar a cabeça de alguém. Isso era comum, bem comum. Quando perdíamos a prancha e a praia estava cheia, logo vinha nossa torcida para que ela não acertasse um crânio. E a coisa ficava feia mesmo quando ela acertava uma criança. Aí, meu chapa, aí ferrava. O pai, com toda razão, vinha enfurecido feito um touro. Normalmente, enquanto o sujeito te esperava vir do fundo, ele tentava quebrar a prancha em cima do joelho, e aí era o pai da criança contra o “pai” da prancha. Pancadaria das boas, salva-vidas entrando no rolo, apito, mulherada gritanto.

Dependendo da relação de tamanho entre o surfista e o banhista, o surfista nadava um bocado pra sair do mar longe da prancha, para depois, disfarçadamente, tentar pegá-la e meter sebo nas canelas praia afora.

Numa melhor hipótese, o banhista via a prancha vindo e, solícito, tentava pegá-la. Só que não tinha a mínima previsão de como a prancha se comportaria com o movimento da onda que a levava, daí que o tonto ia pegá-la daqui, ela reagia dali, e voava no nariz dele. E lembre-se que as pranchas eram bem maiores e pesadas que as de hoje. Chato pacas pedir desculpa.

O resultado dessas encrencas? Nas praias mais freqüentadas pelos banhistas ─ tipo a de Pitangueiras, no Guarujá ─ os salva-vidas nos proibiam de surfar em vários pontos da praia. Imagine isso! A onda quebrando e alguém te proibindo de pegá-la! Pra caramba que eu não ia lá! E aí o salva-vidas vinha nadando e nos dava um ralo dos bons. Discussão. Chato pacas.

Mas aí a coisa foi mudando. Os surfistas começaram a salvar vidas.

Muitos nem se apercebem disso, mas nós, surfistas, já salvamos muita gente que se afogaria. A maioria dos surfistas já tirou alguém da água. Eu, por exemplo, já tirei um monte, e disso muito me orgulho. Lembro que certa vez em Cambury, lá por meados dos anos 70, surfando sozinho em um mar de um metro no canto esquerdo, vi duas cabecinhas beirando as pedras. Dois sujeitos pegos pela correnteza iam à toda para o fundo. É muito comum formar correnteza beirando as pedras, e delas nós surfistas nos utilizamos para varar rápido e sem tomar onda na cabeça, mas elas são um perigo danado para os banhistas. E esses dois iam feito uma bala. Remei feito doido e consegui dar-lhes minha prancha, na época uma Johnny Rice azul e branca, swallow, 7’.

Mantive certa distância dos caras, para que não me agarrassem ─ que é a primeira e forte reação do afogado ─, e me imaginei na situação deles. Concluí que a melhor coisa a dizer-lhes é que agora eles não morriam mais. Que tivessem paciência, que respirassem e descansassem, que a gente sairia dali na boa. E foi assim. Após sossegarem, puxei-os de lado, para fora da correnteza, mandei que se agarrassem firme à prancha e fomos devagar até a praia. Já na praia, sentados, me disseram que recém haviam chegado de outro Estado e trabalhavam como pedreiros numa obra.

Me agradeceram muito e se ofereceram para fazer tudo o que eu lhes pedisse. Eu disse que não, que nada, que estava é contente por tê-los tirado dessa fria. Mas eles insistiram e, sérios, me perguntaram se eu estava “a fins de apagar algum sujeito”, eliminar algum desafeto. Ao ouvir essa oferta, assustei, mas confesso que logo comecei a pensar melhor no assunto. Seria só apontar um infeliz e falar “isca” que, pronto, os dois voariam na sua garganta feito lobos. Pensei, revirei, caraminholei, mas naquele momento não imaginei ninguém pra dar um fim, portanto, naquele dia salvei foi três vidas, em vez de duas. Esses dois, hoje, estariam mortos, pois não havia mais ninguém à vista. Não fui herói, não, pois me arrisquei muito pouco. O herói aqui é a figura do surfista, entendam bem, a figura do sujeito que, literalmente, leva a tábua da salvação.

Além dos dois potenciais matadores, tirei outras dezenas dessa encrenca ─ sempre tomando muito cuidado, porque é fácil perder o controle da situação. Com o desespero não se brinca.

Uma vez, surfando na praia de Pitangueiras, vi um banhista em maus bocados. Remei rápido em sua direção, porém, segundos antes, nele chegou o salva-vidas. O sujeito em apuros, forte, agarrou o salva-vidas que, sabiamente tomou ar e logo afundou, escapou por baixo, porque afundar era a última coisa que o afogado queria. E nessas, o que primeiro emergiu foi o pé-de-pato do salva-vidas, e foi uma pé-de-patada com tudo na cara do sujeito, que foi a nocaute. O salva-vidas deu-lhe uma gravata e começou a levá-lo tranqüilamente para a praia. Falei rindo: “Nossa! Pqp!”, ao que ele me respondeu: “Tem que ser assim, senão é os dois que morrem”. Nessas aprendi que mergulhar é o jeito de escapar desse abraço da morte. Eu estava com a minha Robert August branca, round tail, 7’.

Uma vez vi um loirinho tentando tirar um moreninho da água, eles estavam num buraco e a correnteza os levava. Remei pra lá, mas foi só ao chegar perto que notei que em vez de um loirinho, eram, sim, dois loirinho, porque o moreninho, para se safar, ia afundando-os alternadamente. Chegava a empurrá-los para baixo e lhes pisava nas costas. Dei-lhes a prancha e fui tirando-os. Os loirinhos estavam em piores condições que o moreninho. Nessas vim saber que os três eram amigos, que o moreninho não sabia nadar e os outros dois, que sabiam, acharam que, juntos, o tirariam dali. Como vêem, não tiraram, e por pouco não morreram. Eu estava com a minha Hobie azul, swallow, 6’8”.

Mas a pior barra que passei foi em Cambury, em meados da década de 70. Eu havia almoçado um grude medonho no meu barraco e logo voltara para a praia. O mar estava lindo, grandaço, com dois metrões bem servidos vento contra, e eu queria fazer a digestão da gororoba indigerível olhando o mar, para depois ir para o canto esquerdo pegar as esquerdonas longas que começavam a quebrar pra fora da ponta do ilhote. O plano foi atrapalhado logo ao pisar na praia, mais para o canto direito. Vi dois sujeitos lá no fundão, na linha da arrebentação, e na certa eles se afogavam. Fazer o quê? Naquele tempo, acho que nenhum salva-vidas tinha pisado ali. Era eu e mais ninguém, fora a minha Dick Brewer verde e branca, pin, uma gun 7’6”. Pulei na água e varei a arrebentação dando tudo o que tinha, pois o tempo contava. Quando cheguei a eles, vi que estavam nas últimas. Aí lhes disse a célebre frase: “Sosseguem, que agora vocês não morrem mais!”, mas dessa vez eu não estava tão convicto, um super-homem de merda. Estavam engasgados, com os olhos roxos e praticamente sem forças.

Bom, o jeito foi levá-los ainda mais pra fora, pra trás da arrebentação, para que pudessem recuperar o fôlego. Conseguimos. Descansaram.

E aí? Como eu não tinha leash, o que me garantia que conseguiríamos voltar para a praia sem perder a prancha nas inevitáveis pancadas daqueles ondões? Os dois caras eram grandes, um até era gordão, e já estavam com a respiração boa. O jeito foi falar-lhes que iríamos juntos para o raso, que eu os puxaria pela quilha e eles que ajudassem batendo as pernas, mas que uma certa hora as ondas nos quebrariam em cima e, nessa hora, que se agarrassem à prancha como às suas vidas, que não a largassem de modo algum, acontecesse o que acontecesse.

Sabe quando eles largaram a minha Brewer?

Quando seus joelhos encostaram na areia, mesmo assim precisou eu chegar e falar rindo que já estava tudo bem.

Salve a Dick Brewer! Quem os salvou foi ela. Eu só a levei a eles.

Salvem todas as nossas pranchas, as antigamente também chamadas tábuas de surf, as tábuas de muitas salvações. Elas salvam o homem da fraqueza, da depressão, da futilidade, de ambientes ruins, e muitas vezes salvam da morte.

Por tanto, meu amigo, não se meta a bancar o salva-vidas sem sê-lo, porque é bem provável que você se ferre junto. Se for uma criança em apuros, claro que tudo bem, porque, além de serem fáceis de controlar, por elas, mesmo desconhecidas, a gente arrisca tudo. Se ele for adulto, e essa parada sobrou pra você, procure antes uma prancha e, seja lá de quem for, pegue-a e vá. Ninguém reclama, já fiz isso muitas vezes.

E nunca se aproxime a ponto do sujeito poder te agarrar, nunca. Hoje temos leash, então é moleza ─ é chegar e jogar a prancha para ele, e dali sair puxando-o de longe. Se ele te agarrar, já viu, tome ar e afunde bastante, que ele te solta.

Mas o ideal mesmo, meu amigo, é ter na praia um salva-vidas surfista, que nem o Rafael, que trabalha em Cambury. Nasceu e foi criado ali. Surfa desde criança, que eu lembro, e surfa lindo pra burro. E é o melhor salva-vidas que conheci na vida, pois raramente põe o pé na água. Sempre ligado, sabe prever o perigo e, antes que o banhista se meta onde não se deve, ele já está lá apitando e botando ordem na coisa.

Salve, portanto, o Rafael, e todos os salva-vidas do mundo!

Fonte: http://pordentrodasondas.blogspot.com.br/2010/12/surfista-salva-vidas.html

Salvamento com tubo de resgate e pranchão - Pipeline



     Salvamento com tubo de resgate (rescue tube) e depois com  pranchão pelos guarda-vidas. O primeiro estabiliza a vítima até a chegada do outro GV. A vítima aprece no vídeo em 3'19" de filmagem quando aparece em uma correnteza de retorno (vala). Observem que a praia está bem sinalizada, mas ...

Descrição do vídeo: Enviado 25/01/2010

      Quando em férias no Havaí no início de Janeiro, vimos uma menina sair para as águas agitadas do "pipeline", onde ela teve que ser resgatado por dois salva-vidas. Foi difícil manter o controle de seu através da lente da câmera quando ela estava flutuando ao redor. Graças a esses caras bravos ela saiu viva.

O uso da moto de salvamento aquática (MSA) consciente.

     A CADA DIA O JET SKI TORNA-SE MAIS PRESENTE NO MUNDO DO SURF. COMEÇOU COM O TOW IN, ONDE ELE É FERRAMENTA FUNDAMENTAL, E DEPOIS COM O USO DAS MOTOS D'ÁGUA PARA LEVAR COMPETIDORES PARA O OUTSIDE. A POPULARIDADE É TANTA QUE HOJE EXISTE  UM USO EXCESSIVO E DESCONTROLADO DOS JETS. SERÁ QUE QUEM USA SABE O MAL QUE ELE CAUSA?



     O jet ski é constantemente utilizado em campeonatos para agilizar a volta do surfista ao lineup. Além de poupar o esforço da remada para passar a arrebentação, ele torna a bateria mais competitiva pela chance de haver mais ondas surfadas. Mas o uso excessivo das máquinas polui a água do mar, prejudica a vida marinha e, até mesmo, a saúde do surfista. Por essas e outras que leis como as aplicadas nos EUA estão ganhando força.


O Golden Gate National Recreation Area (GGNRA), que controla as atividades na região costeira de São Francisco, Califórnia, não abriu exceção para o uso na 10ª etapa do World Tour, em Ocean Beach, e para o Big Wave World Tour, em Mavericks ─ está última mais discutível devido à inevitável necessidade do uso de jets para surfar a onda.

Segundo Howard Levitt, diretor de comunicação da GGNRA, os jet skis devem ser usados apenas em situações de emergência: "Temos um jet ski de resgate dos salva-vidas, as leis não nos permitem deixar que outra pessoa faça isso", diz. A preocupação com o meio ambiente é válida, de acordo com Annie Reisewitz, diretora da Strategic Ocean Solutions, da Flórida. "O impacto do jet ski é maior que o de barcos, porque eles circulam mais próximos à costa", afirma a especialista. Para ela, os motivos são o barulho e a emissão de poluentes no ar e no oceano, entre eles, o monóxido de carbono e hidrocarbonetos.

Além de poder causar a morte de animais marinhos, a constante poluição sonora e da água interrompe o descanso, diminui a atividade no habitat, reduz a taxa de reprodução e o tempo de vida, interfere nos costumes de locomoção e alimentação e altera o comportamento e a estrutura comunitária no fundo do mar.

REALIDADE BRASILEIRA




     Para Elisabete Braga, professora de Oceanografia Química da USP, "os resíduos emitidos na queima de combustível liberam tintas tóxicas, prejudiciais à fauna e à flora e também aos surfistas". Os modelos com motor dois tempos são os mais poluentes ─ eles não queimam cerca de 30% do combustível, que vaza pelo escapamento. Nos Estados Unidos esse motor já é proibido. A US Environmental Protection Agency obriga as marcas a utilizar o quatro tempos com injeção eletrônica. "Ele consome menos e não usa óleo, então polui menos", comenta Alex Silva, gerente de produtos da Yamaha. "O combustível queima totalmente, igual ao de carro. Já o dois tempos, além do vazamento de combustível, faz muita fumaça, como uma moto antiga", completa.

     Mesmo sem leis no Brasil, as marcas já optaram por trabalhar com o motor quatro tempos. A Kawasaki apresentou, no Salão Duas Rodas, os modelos Ultra 300X e Ultra 300LX, ambos quatro tempos. Já a Yamaha vende os mesmos jets que são produzidos nos EUA e, segundo Benedito Alves, instrutor técnico da marca, pretende encerrar em até dois anos a fabricação dos modelos dois tempos.

Quando as condições demandam, o jet é uma ótima ferramenta. Mas para não poluir nosso parque de diversões, o oceano, é preciso que seu uso seja feito de maneira consciente e responsável.

Alfredo Villas Boas é o anjo da guarda em Jaws

     Alfredo Villas Boas chegou a Maui em 1989 e nunca mais saiu de lá. Três anos depois, fez um trabalho voluntário como instrutor. Sete anos depois, ganhou a vaga permanente. Entre suas façanhas fora do trabalho está a de surfar ondas de tow in. Ele foi o primeiro brasileiro a surfar as ondas de Jaws.
Alfredo Villas Boas é o responsável pela segurança do Tow In World Cup. Foto: Arquivo pessoal.









- A maior dificuldade aqui é ter de trabalhar quando as ondas estão perfeitas. Se o mar está com 20 pés (6m), por exemplo, eu não tenho vontade de fazer nada além de surfar – diz, rindo.


 O baiano radicado em Maui, Alfredo Villas Boas, 37, é um dos big riders pioneiros em encarar Jaws, na ilha de Maui, Hawaii.
Morando no Hawaii desde 1990, sua estréia no pico ocorreu em 1998 em parceria com o havaiano Kenny de Lima.

O surfista conquistou respeito dentro e também fora d'água e em 96 foi efetivado como salva-vidas no Estado.

Alfredo acaba de ser contratado como chefe da segurança da Tow In World Cup, mundial de ondas gigantes, que rola em Jaws quando as ondas ultrapassarem os 12 metros.

Nesta entrevista concedida ao correspondente Waves.Terra no Hawaii, o big rider Sylvio Mancusi, ele fala sobre os perigos que um salva-vidas enfrenta para resgatar os melhores big riders do mundo na temida arrebentação de Jaws e também como será feita a segurança do Mundial de Ondas Grandes.

Há quantos anos você mora no Hawaii ?

Cheguei no Hawaii em 1990.

Quando começou a trabalhar como salva-vidas?

Comecei trabalhando voluntariamente ajudando no júnior Life Guards no verão e recebi meu certificado de salva-vidas em 1992. A partir de 96, fui oficialmente contratado pelo Estado.

Como você vê a oportunidade de trabalhar e ser o responsável pela vida dos melhores big riders do mundo na onda mais pesada do planeta?


Com certeza a maior responsabilidade da minha vida profissional é trabalhar com big riders. Mas, é uma coisa que faço todos os dias, como se fosse um segundo sentido para mim.

É um dom dado por Deus?

Com certeza. O presente dele para mim é esse dom.

Como funcionará o esquema de segurança no evento. Quantos jets ficarão no 
canal?


Serão cinco jets, com cinco pilotos salva-vidas que trabalham comigo no dia-a-dia e estarão disponíveis no dia do evento para garantir a segurança dos atletas.

Quem são esses seguranças?

São os havaianos Kaleo Amadeo, Andy Miller, Davon Pollendi e Kerry Kaiama.

Todos eles são havaianos e somente você é brasileiro. Você conquistou um grande respeito aqui?

Gracas a Deus. Sou muito grato a Ele por isso. Não foi fácil.


Quando o surfista cair da onda, como será feito o resgate?

Quando o atleta cair na área de perigo, seu parceiro terá a primeira chance de resgatar o surfista. Se ele o perder, atrás já virá um dos nossos na área de arrebentação que tentará pegá-lo. Se esse também não conseguir vem outro atrás novamente, até conseguirmos resgatá-lo.

Você tem medo deste tabalho em Jaws?

Vou ser sincero: é lógico. Fui o primeiro salva-vidas a fazer um resgate oficial em Jaws, há três anos com vento de 40 milhas e ondas com cerca de 6,5 metros. Fui chamado para resgatar o famoso kiteboarder Flash Austin, que havia se machucado e parado nas pedras de Jaws. Com aquele tempo animal eu fui obrigado a ir nas pedras resgatar o famoso atleta.

Quais são as maiores dificuldades que sua equipe poderá passar?

Com certeza será a espuma branca decorrente das grandes ondas que quebram 
ali. O jet-ski costuma derrapar devido a grande concentração de ar nas espumas.


Vocês usarão algum jet especial?

Normalmente, trocamos as hélices dos jets para que eles derrapem menos.

Vocês fizeram algum tipo de treinamento especial? São realizadas reuniões antes do evento?

Já tivemos uma reunião com o organizador do campeonato, Rosaldo Cavalcanti. Conversamos e tentamos visualizar todos os perigos e cenários possíveis.